O Chief Operating Officer (COO) da Serra Verde, Ricardo Grossi, afirmou na quarta-feira (10.jun.2026) que a atuação da mineradora no mercado de terras-raras é fundamental para a criação de uma referência de preços fora da China, que atualmente detém 90% da produção global desses minerais. A Serra Verde opera em Goiás e é a única mina comercial ativa de terras-raras no Brasil, além de ser a única mineradora fora da Ásia a extrair os quatro elementos magnéticos essenciais desse grupo.
Grossi ressaltou que a referência de preços estabelecida pela Serra Verde é uma contribuição importante para novos projetos de exploração que buscam se consolidar no Brasil, país que possui a segunda maior reserva de terras-raras do mundo. Ele destacou que a mineradora norte-americana serve como modelo para novos empreendimentos, conduzindo suas atividades de acordo com as condições de mercado e refletindo os custos reais de extração e processamento, sem os subsídios que caracterizam a produção chinesa.
Durante sua participação no Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos 2026 do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Grossi comentou sobre a experiência da Serra Verde em um mercado dominado por um único país. "O que a Serra Verde fez foi uma mudança na precificação do produto, que vai ser crucial para outros projetos que estão surgindo também", afirmou.
O executivo também trouxe à tona o domínio da China sobre 90% do mercado global de terras-raras, 90% da capacidade de separação, 99% da separação de terras-raras pesadas e 90% das demais etapas da cadeia de transformação. A criação de uma referência de preços fora da China se mostra atraente para investidores que buscam contratos offtake, que são acordos firmados entre produtor e comprador antes da extração ou fabricação do produto.
Com a forte presença chinesa, novos agentes que procuram fornecedores fora do país asiático encontram dificuldades em encontrar referências de preços. A sinalização oferecida pela Serra Verde pode permitir que investidores avaliem melhor as condições de negócios, especialmente após a parceria com a USA Rare Earth, firmada em abril, que visa garantir acesso à tecnologia e financiamento em um mercado ainda incipiente no Brasil.
O acordo com a USA Rare Earth inclui cooperação tecnológica e potencial acesso ao mercado dos Estados Unidos, que busca diversificar seus fornecedores e reduzir a dependência da Ásia. Grossi destacou que a concentração do mercado na China exige a criação de novas dinâmicas e processos. "Precisávamos de fundo, de recurso, encontramos aporte. Precisávamos de acesso à tecnologia, fizemos negócio com a USA Rare Earth", declarou.