O Ministério do Comércio da China anunciou na sexta-feira, 19 de junho de 2026, que uma tarifa adicional de 55% será imposta sobre as importações de carne bovina provenientes da Austrália. A nova taxa entrará em vigor no dia seguinte, 20 de junho, em decorrência do fato de que o país oceânico excedeu sua cota de 205 mil toneladas, estabelecida pelo governo chinês em dezembro do ano anterior.
Com essa decisão, a Austrália se torna o primeiro país a sofrer os efeitos dessa tarifa. A medida também deve impactar o Brasil, que pode enfrentar consequências semelhantes a partir da metade do segundo semestre. Em maio, o Ministério do Comércio da China havia informado que os exportadores brasileiros já haviam atingido 50% de sua cota livre da taxa adicional de 55%.
A cota de importação do Brasil, definida pelo governo chinês, é de 1,1 milhão de toneladas, o que representa cinco vezes mais que a cota australiana. No entanto, esse volume é 35% inferior ao total de 1,7 milhão de toneladas que o Brasil enviou à China no ano anterior.
De acordo com informações anteriores, os exportadores brasileiros estão apressando seus envios de carne bovina para a China com o objetivo de evitar a nova tarifa. Esse movimento indica que a cota brasileira pode ser atingida muito antes do término deste ano.
Nos primeiros quatro meses de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina para a China cresceram 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa alta nas exportações é impulsionada pela ausência de regulamentação da cota por parte do governo brasileiro, o que gerou uma demanda crescente entre os exportadores para despachar rapidamente sua produção para o país asiático.
A implementação dessa tarifa e do sistema de cotas busca fortalecer a pecuária chinesa. O governo da China estabeleceu que essa medida terá validade de três anos, impactando diretamente o comércio internacional de carne bovina.