A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) expressou sua preocupação em relação à decisão do Gecex-Camex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) que renovou as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados. Essa medida foi anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na terça-feira (23 de junho de 2026).
As novas cotas, que entrarão em vigor a partir de 1º de julho, terão duração de seis meses e um limite total de US$ 463 milhões. O benefício se aplica a veículos CKD, que são totalmente desmontados, e SKD, que são semidesmontados. Para as importações que ultrapassarem esse limite, a alíquota de 35% será mantida para veículos SKD, enquanto a de 14% se aplicará aos CKD. Importações de carros já montados não serão beneficiadas pela cota.
Em nota, a Fiesp manifestou sua insatisfação com a decisão, ressaltando que a renovação das cotas prejudica diretamente a indústria nacional que realiza investimentos no Brasil. A entidade também apontou que a medida vai na contramão de deliberações anteriores do próprio Gecex, criando um cenário de incertezas.
As cotas para a importação de kits de veículos elétricos já haviam sido encerradas em fevereiro de 2026, conforme o cronograma estabelecido pelo governo após discussões com representantes do setor produtivo. A alteração nas regras, segundo a Fiesp, compromete a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória, penalizando toda a cadeia automotiva brasileira que havia planejado investimentos com base na estabilidade das decisões governamentais.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, declarou que a mudança abrupta nas regras representa uma violação da confiança do setor, que investiu para gerar empregos e fomentar a inovação no país. A discussão sobre a tributação dos veículos eletrificados teve início em 2023, quando o governo começou a reimplementar o imposto de importação sobre modelos híbridos e elétricos.
Em 2025, o Gecex adiantou para janeiro de 2027 a aplicação da alíquota cheia para kits CKD e SKD. Uma cota temporária com isenção de impostos foi criada para o período de agosto de 2025 a janeiro de 2026. A partir de julho, os carros elétricos importados montados estarão sujeitos à alíquota de 35%, enquanto os kits continuam com a cota zero por mais seis meses.