O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, expressou forte reprovação à proposta de Donald Trump, do Partido Republicano, que sugere que os Estados Unidos assumam o controle do Estreito de Ormuz e instituam uma taxa de 20% sobre as cargas que transitam pela via marítima. A declaração de Lula ocorreu na segunda-feira, 13 de julho de 2026, durante uma visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo.
A fala de Lula foi uma resposta direta às declarações do presidente americano, que foram divulgadas no mesmo dia. Em uma entrevista à Fox News, Trump afirmou que os EUA deveriam se tornar “os guardiões do estreito” e que deveriam ser “reembolsados” pela segurança da via marítima. Ele detalhou sua proposta na rede social Truth Social.
O presidente brasileiro ressaltou que a postura de Trump é incompatível com os valores democráticos. Lula comentou sobre a proposta de cobrança, afirmando: "Hoje, tem um tweet de Trump dizendo que vai desobstruir o Estreito de Ormuz, dizendo que vai desobstruir, mas cada navio o dono do petróleo tem que pagar 20% pra ele".
Lula foi enfático ao descrever essa proposta como pirataria, afirmando que um país como os Estados Unidos, que por muito tempo combateu a pirataria, não deveria adotar essa postura. "Não tem que cobrar, é da responsabilidade deles, não estava fechado, não foi o Brasil que inventou a guerra, foi ele [Trump] que inventou a guerra", afirmou.
O presidente também criticou a ideia de lucrar com conflitos, considerando-a “anormal”. Ele destacou que é preocupante perceber que os EUA provocam uma guerra e, em seguida, começam a cobrar pela passagem dos navios que buscam segurança. "Não é comum, normal, democrático. É anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça", completou.
O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo com cerca de 50 quilômetros de largura, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes do início do conflito entre Irã e Estados Unidos, a região era responsável por cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo.