A partir do dia 22 de julho de 2026, os Estados Unidos começaram a aplicar uma tarifa de 25% sobre uma parte das exportações brasileiras, impactando cerca de três mil itens. Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), ressaltou a importância de uma atuação coordenada entre as instituições brasileiras para enfrentar essa nova realidade. Trad enfatizou a necessidade de compreender os impactos da medida e acompanhar as alternativas que estão sendo elaboradas para proteger os interesses do Brasil.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estima que essa tarifa irá afetar 18% das exportações brasileiras para os EUA, o que corresponde a R$ 37,6 bilhões se comparado aos dados de 2024, ano em que foram anunciadas as primeiras tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para 2025, a previsão é de que a participação dos setores afetados caia para 15%, totalizando R$ 29,4 bilhões.
Trad considera que a nova tarifa impõe um desafio significativo para diversos setores da economia nacional e sugere que o governo mantenha um diálogo diplomático ativo, além de realizar novos estudos para encontrar soluções para a situação. Na última semana, ele havia solicitado informações ao MDIC sobre a operacionalização da Lei da Reciprocidade Econômica e sobre os estudos conduzidos pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), além de questionar a necessidade de possíveis aperfeiçoamentos legislativos.
A busca por alternativas de mercado é vista como essencial para que o Brasil se prepare para enfrentar períodos de instabilidade no comércio global. Trad destacou que quanto mais opções o país tiver para acessar novos mercados, melhor será sua posição nas relações comerciais internacionais.
No mesmo dia em que as tarifas começaram a ser aplicadas, o governo federal anunciou uma medida provisória (MP 1.379/2026), que inclui um pacote de apoio para as empresas brasileiras, denominado Plano Brasil Soberano 3. Essa iniciativa destina R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados, focando em exportadores e setores estratégicos da economia nacional.
Além disso, o presidente sancionou o Projeto de Lei de Conversão (PLV 7/2026), que decorre da MP 1.345/2026 e visa estabelecer linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano. O Congresso decidiu ampliar o escopo da legislação, incluindo não apenas exportadores de bens industriais e seus fornecedores, mas também setores considerados cruciais para o comércio exterior brasileiro.