A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu revogar o título de Doutor Honoris Causa concedido ao embaixador dos Estados Unidos, Gordon, que ocupou o cargo no Brasil entre 1961 e 1966. A revogação está diretamente ligada à participação do diplomata no planejamento do golpe de Estado de 1964, que resultou na destituição do presidente João Goulart, instaurando uma ditadura militar que perdurou por 20 anos, até 1985.
Durante seu período como embaixador, Gordon foi associado à Operação Brother Sam, uma ação que envolveu o envio de uma força-tarefa naval em apoio ao golpe militar. Embora a operação tenha sido planejada, a força-tarefa não chegou a atuar efetivamente em águas brasileiras, já que o golpe foi consumado rapidamente pelos militares.
A decisão da UFRJ de revogar o título reflete um movimento mais amplo dentro da sociedade brasileira, que busca reavaliar figuras históricas e suas contribuições, especialmente aquelas ligadas a períodos de repressão e autoritarismo. A universidade também se destaca por sua postura crítica em relação a eventos que marcaram a história do Brasil, como a ditadura militar.
Recentemente, a UFRJ também fez headlines ao conceder um diploma 55 anos após a morte de Stuart Angel, uma figura que se tornou um símbolo da resistência contra o regime militar. Além disso, a Universidade de São Paulo (USP) confirmou o título de Doutor Honoris Causa ao jornalista Vladimir Herzog, outro nome emblemático na luta pela democracia durante a ditadura.
A revogação do título de Gordon é um passo significativo em um contexto em que instituições acadêmicas buscam reexaminar suas relações com a história e a política do país, promovendo um debate mais aprofundado sobre a memória e a verdade em relação aos eventos que moldaram o Brasil moderno.