As altas temperaturas registradas na Europa nos últimos dois meses, durante o verão do hemisfério Norte, revelam o impacto econômico das mudanças climáticas. A combinação de calor recorde e seca, ambos intensificados pelo aquecimento global, tem gerado prejuízos em diversas áreas, como a produção de energia, o transporte fluvial e a saúde pública, que enfrenta uma sobrecarga. A atual temporada de incêndios florestais se dirige para se tornar a mais devastadora já vista no continente.
Economistas e acadêmicos estimam que as repercussões econômicas na região já chegam a centenas de bilhões de euros. Eles alertam que os custos tendem a aumentar mais rapidamente do que as temperaturas, uma vez que a Europa está vivenciando mudanças climáticas em um ritmo superior ao do resto do planeta. A Europa Ocidental registrou os meses de junho e julho mais quentes já documentados, com uma média de temperatura de 21,62 °C, conforme relatado pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus. Esse número representa um aumento de 2,79 °C em relação à média de junho de 1991 a 2020.
A economista Sehrish Usman, da Universidade de Mannheim, destaca que o ano de 2026 é particularmente alarmante sob a perspectiva econômica, devido à ocorrência de múltiplos eventos climáticos extremos. As previsões indicam que os danos econômicos deverão superar todos os registros anteriores, afetando setores específicos e pressionando as finanças públicas, além de provocar oscilações na inflação e modificar o cenário do turismo. Essa situação está forçando a Europa a revisar sua abordagem quanto à produção de energia e ao transporte de mercadorias.
Condições climáticas em julho demonstraram ser mais secas do que a média em várias regiões europeias, com Áreas da Península Ibérica, França, Alemanha, Áustria, Hungria e Reino Unido sendo especialmente impactadas. A navegação nos rios Reno e Danúbio, importantes para o transporte de cargas, enfrenta sérias limitações devido ao baixo nível das águas. Além disso, mais de 6 reatores nucleares tiveram suas operações interrompidas ou reduzidas por dificuldades relacionadas ao fornecimento de água.
Heather Grabbe, pesquisadora sênior do centro de estudos Bruegel, observa que a resposta a essas crises climáticas frequentemente resulta em medidas emergenciais que são dispendiosas e, muitas vezes, ineficazes. Os investidores podem reagir de forma negativa a possíveis aumentos nos gastos públicos, já que os níveis de endividamento são elevados, especialmente na França e na Itália.
Carsten Brzeski aponta que, dada a extensa lista de necessidades de gastos, a tendência será de um aumento no endividamento PÚBLICO, o que pode gerar pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE) para intervir e expandir os programas de compra de ativos, caso ocorra uma venda repentina de títulos nos mercados. Nos últimos dez anos, o BCE adquiriu trilhões de euros em títulos da dívida pública para manter os custos de financiamento baixos em um cenário de inflação abaixo da meta.